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Inquietações

Inquietações

04
Set21

República das bananas

Liliana Rodrigues

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Hoje o texto foge um pouco à minha forma de escrita. Não sou muito de comentar a actualidade, mas desta vez vou fazê-lo. Tenho assistido nos últimos dias a algo que me inquietou. Sobre o que estou a falar? Campanha política.

Respeito muito quem decide fazer carreira política. São os políticos que tem a missão de decidir e implementar as medidas necessárias para melhorar a vida das comunidades. Sim, disse missão. Esse deve ser o espírito de quem se disponibiliza para exercer a função de político.

Não é de todo uma função fácil de desempenhar, afinal, eles estão sempre na linha de fogo. Alvo de todas as críticas e  incompreensões continuam a desempenhar a função para a qual foram eleitos: ou deviam.

À parte do seu desempenho, que não é o que estou a avaliar, porque para tal existem as eleições, não consigo compreender certos comportamentos dos políticos ou futuros políticos.

Nos últimos dias tenho tido a sensação de que, a classe política, não saíram do pré escolar. Porquê? Porque o modo como muitos se decidem promover passa por denegrir o adversário. E, de repente, assistimos a disputas infantis de recreio de escola.

Não me estranhava nada que um candidato dissesse que outro cheirava mal dos pés e, que portanto, não deve ser eleito. Gostaria muito de ver campanhas limpas de acusações, picuinhices e com apresentações concretas de soluções e estratégias de melhoria.

Se este circo entretém muitos eleitores, a mim irrita-me profundamente. Se querem que respeitem os políticos e a política, é fundamental darem o exemplo. Sempre ouvi dizer que “o exemplo tem que vir de cima”.

A política em Portugal deixa muito a desejar, muito por culpa dos políticos. Se querem respeito, tenham respeito entre vós e por nós. Poupem-nos ao circo das campanhas eleitorais da troca de acusações. Trabalhem efetivamente em conjunto para as comunidades. Desempenhem a missão para a qual se disponibilizaram sem interesses pessoais camuflados. Sejam verdadeiros políticos.

Acredito que a política é uma profissão nobre e digna. É preciso mudar a mentalidade dos políticos para mudar a política. E, talvez assim, deixemos de ser a república das bananas.

 

 

(Imagem retirada do Google)

26
Jul21

Alma de mar

Liliana Rodrigues

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(Imagem retirada do Google)

Dentro de si a tempestade formava-se. As nuvens escuras e carregadas ocultavam um céu antes azul. O vento ganhava força e fúria. O ribombar da trovoada rompia o silêncio e a tranquilidade.

Deu por si a caminho de um destino que não conhecia. Sentia um chamamento. Um força inexplicável que a puxava para si.

As primeiras gotas começaram a cair num céu só seu. O vento fustigava-lhe a mente com o que já não existia. Os relâmpagos traziam-lhe o que já não era seu. Avançava fugindo da sua tempestade.

Não havia como escapar. Tentava, mas como um barco, navegando à mercê do mar revolto, o seu corpo tentava suportar a dor.

Sentia que se aproximava do cabo das tormentas. Levada pela corrente da qual não conseguia fugir. O seu coração batia freneticamente antecipando o confronto ao qual não podia fugir.

Os seus olhos tentavam vencer o vento e a chuva impiedosa. Precisava estar pronta. Precisava de se manter alerta. Ouvia-o a aproximar. Com fúria. Com raiva. Com tudo o que tinha.

Ali estava ela, em frente ao Adamastor. Debateu-se com toda a sua força. Com toda a sua alma. Com o que tinha e o que não sabia ter. A pequena sereia lutava com o gigante dos mares.

A tempestade passou. A sua respiração ofegante gritava por calma. O sabor sanguinolento teimava em não passar. Olhou-o. O seu corpo desfez-se fundindo-se com o mar.

Ali estava ela, de pés na areia, de volta onde a alma encontra a paz. Em frente ao mar.

 

 

14
Jun21

Porque me odeias?

Liliana Rodrigues

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(imagem retirada do Google)

 

Porque me odeias? Sim, qual o motivo?

Abres a boca e feres-me com a amargura que trazes na alma. Atacas-me. Diminuis-me. Fazes de ti mesmo a razão e a verdade. Puxas até ti o sol e deleitas-te com o universo à tua volta. Atiras para longe tudo e todos para tua autossatisfação. Embriagaste em ti.

Aproximo-me e volto-te a questionar. Porque me odeias?

De indicador esticado começas a apontar. É o meu físico. É a minha personalidade. É a minha opinião. É tudo e não é nada. É só porque sim. É porque sou eu. Eu, um individuo diferente de ti. Um eu que vês como uma ameaça ao teu próprio eu.

Porque me odeias?

Apressas os dedos a digitar toda a tua magnâmina opinião sem que ta peça. Todo o universo gira em torno de ti, é assim que tem que ser. Como posso ousar existir sem te pedir? Que atrevimento, o meu, pensar. Avanças a toda a velocidade para a ofensa e escondes-te atrás da armadilha da tua opinião.

Porque me odeias?

Não me conheces, mas consegues saber tudo sobre mim. Julgas-te detentor de todo o conhecimento, analisando meticulosamente a superfície do iceberg. Continuas na embriaguez de ti mesmo. Escondo-me de ti. Fujo para onde não me possas atacar. Onde não me possas magoar. Protejo-me.

Porque me odeias?

Observo-te ao longe. Caminhas todo altivo para o abismo. A tua luz cega-te em ti. Não vês nem consegues ver. Estás só. A tua perfeição abre fendas no que julgas ser. Continuas a caminhar seguro do nada em que te tornaste. Sim, disse do nada em que te tornaste. Perdeste no caminho quem realmente eras. Vagueias ostentando um interior fragmentado de quem julgas ser. Estás em queda livre sem que nada possas fazer.

Porque me odeias? Volto a perguntar enquanto te seguro no colo.

Olhas-me nos olhos. As lágrimas formam-se sem que as consigas controlar. Fazes-te de forte mas a dor atraiçoa-te. Lentamente vais mostrando a tua humanidade. Ouço o grito inaudível da tua dor. O desespero pulsa-te no corpo e arde mais do que o sangue. Desejas libertar-te do que te agrilhoa. Só queres encontrar a tua verdadeira natureza. Só queres ser feliz. Sei que darias tudo por voltar a ser criança outra vez. Balbucias.

Porque me odeias?

Levantas-te apesar da dor. Afastas-me. Ergues a cabeça e afirmas, com todo o teu orgulho:

- Porque é assim que tem que ser.

12
Mai21

Um dia como os outros

Liliana Rodrigues

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Acordo para mais um dia de trabalho. Um dia que, embora igual a tantos outros, será desafiante e único: um teste. Mais um teste à resiliência, à adaptabilidade e à empatia. Todos os dias são iguais e simultaneamente tão diferentes. Suspiro.

À porta, a minha filha agarra-se à minha perna e pede-me para não ir. Pergunta-me porque tenho que ir trabalhar e argumenta que não quer “dinheirinhos” e nem coisas novas. Explico-lhe que tenho pessoas doentes para cuidar. Ela, de olhos brilhantes e tristes, diz que precisa que cuide dela. O coração torna-se do tamanho de um grão de mostarda. Engulo em seco e saio de casa.

Atrás de mim fica um criança a chorar e um marido que a consola tentando, também ele, se reconfortar. Os tempos são de fragilidade, de ansiedade, incompreensíveis e não lineares. O medo da separação aumenta, quando os números da pandemia começam a subir. Vive-se a incerteza a cada “até logo”.

Os papéis estão definidos e cada um sabe o lugar que terá que assumir caso a mãe tenha que voltar a ser só enfermeira. Já não precisamos de falar, os olhares dizem tudo o que as palavras não conseguem expressar.

Visto a farda branca, que nunca chego a despir, e sou a melhor profissional que posso ser. Mobilizo conhecimentos, relaciono sinais e sintomas com possíveis diagnósticos, atuo de acordo com as situações e tento ver através dos olhos dos outros. 

Talvez seja um dia igual a tantos outros, mas aquela pessoa fez ressonância em mim. Aquela menina fez-me lembrar a minha filha. Aquele pai dedicado e preocupado fez-me imaginar as dificuldades sentidas pelo meu marido. Aquele homem que trabalha de dia e de noite, colocando a sua saúde em risco, para que nada falte aos seus, remete-me para o meu pai. E aquela senhora muito preocupada com os outros e que, tantas e tantas vezes, se esquece de si recorda-me a minha mãe.

É impossível cuidarmos dos outros sem ser, nem que seja só um pouco, tocados pelos outros. Tudo isto, torna a profissão tão bonita como difícil. Temos que ser o melhor profissional de enfermagem que podemos, sabemos e conseguimos por baixo da fina farda que protege a pessoa que somos.

O dia de trabalho aproxima-se do fim. Já perdi a conta das vezes que me agrediram verbalmente ou que colocaram em causa a profissional que sou. Faço por ignorar, tentando proteger-me por baixo da fina farda, pois compreendo a dor, o medo e a frustração que a doença provoca nas pessoas. Mas dói. Preparo-me para cuidar do próximo doente, respiro fundo e penso em coisas felizes. Sorrio.

O turno chega ao fim. Retiro a fina farda deixando a descoberto as feridas e as dores resultantes de um dia de trabalho. Mais uma luta  ganha por hoje, mas a batalha nunca será vencida. Haverá sempre alguém vítima da doença e alguém que a ajude a combater.

Chego a casa. A minha filha já dorme. Hoje não houve história de adormecer e nem beijinho de boa noite. Mais uma vez a mãe chegou tarde do trabalho. Olho nos olhos do meu marido que me abraça com amor. Bebo um chá e adormeço no conforto do seu colo. Daqui a umas horas começa tudo outra vez.

Vou iniciar mais um dia igual a tantos outros, sem reconhecimento, valorização e justa remuneração da profissão, mas singular como as pessoas de quem cuido.

Aos meus colegas enfermeiros, um feliz dia igual a tantos outros, assim como diferente de tantos outros. 



26
Abr21

Se fosse a ti...

Liliana Rodrigues

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Se fosse a ti, fazia diferente; melhor. Não estaria nessa situação. Não viveria essa indecisão. Se fosse a ti, já tinha agido; reagido. Já teria batido com a porta e mostrado a minha posição. Não cederia. Se fosse a ti.

Tens que reagir; decidir. Pára de procastinar. Que raio te impede de avançar? Arrisca. Que tens a perder? Se fosse a ti, já estava feito. Mais rápido e melhor, de certeza.

Só dás desculpas. Não vês? É assim fácil como te digo. Vai por mim que eu é que sei. Tens a vida facilitada e estás assim nesta indecisão. Mexe-te reage.

Olha para mim e vê como se faz. Como sou mais e melhor. Sou mesmo o maior. Dúvidas? É porque tens inveja de mim; da minha vida. És covarde ao esconderes-te atrás de argumentos. Queres é livrar-te das responsabilidades que tens que assumir. Sim, tens que assumir, é tua obrigação.

Dá-me cá os teus sapatos que vou-te ensinar a caminhar. Não deve ser difícil como dizes. Eu já vi qual o melhor caminho, tu insistes em não me ouvir. Observa e vê, como caminho tão bem nos teus sapatos.

Aos primeiros passos sinto uma ligeira sensação no calcanhar. Ignoro, porque sou bom. Sou forte. Não é assim como me pintas. No primeiro quilómetro surge a primeira “bolha”. Incomoda, mas continuo. Ao segundo quilómetro surgem mais bolhas e começa a doer.

Não posso fraquejar. Não agora que estão a ver. Sou o maior. O mais inteligente e forte. O mais desenrascado e perspicaz. Mas dói.

No terceiro quilómetro o sangue mistura-se com o sapato e a dor é insuportável. Não aguento mais. Só quero que termine. Olho em frente e o caminho funde-se com o horizonte. Os olhos não conseguem alcançar a meta. Sento-me no chão rendido à dor.

Como aguentaste tanto? Como conseguiste chegar onde chegaste? Como fizeste? O que te deu força e coragem? Como? O quê? Porquê?

Se fosse a ti. Mas não sou.  

 

 

 

 

(imagem retirada do Google)

17
Abr21

Não é dia dos namorados

Liliana Rodrigues

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Hoje não é dia dos namorados. Também não é o aniversário dele. Muito menos o nosso aniversário de namoro. Não é preciso ser uma data do calendário. Todos os dias são dias.

Mais uma vez, hoje ficaste com o papel de tomar conta da nossa filha. Hoje, tal como noutros dias passados, para que pudesse voltar aos estudos.

Sabes, muito do que consigo fazer, só é possível porque estás aqui para me ajudar. Os cursos que fiz, os livros que escrevi e o que alcancei não o foi conquistado individualmente. Lutamos lado a lado até à vitória.

Talvez seja este o nosso segredo. Somos pessoas independentes que funcionam bem juntas. Não competimos por protagonismo. Não lutamos para nos impor. Apenas caminhamos juntos com as nossas individualidades.

Não é preciso um dia específico para te agradecer. Nem preciso de uma data importante (até porque bem sabes como sou uma nódoa com as datas), para te dizer o quanto te amo.

E que se lixe se comessem os comentários de: “mas que lamechas” ou “que piroso”. O que importa é que seja verdadeiro e sincero.

Obrigado por lutares ao meu lado. Obrigado por esta aventura que é a parentalidade. Obrigado por este desafio que é a vida em casal. E, sobretudo, obrigado por me amares com todas as minhas imperfeições e inseguranças.

Poderia escrever este texto de uma forma floreada ou mais romântica, mas não seria tão sentido. O importante é sermos fiéis à nossa essência, para não sermos plásticos e o resultado do que querem fazer de nós.

Nós somos assim. Fiéis às nossas essências sem atropelos ou fingimentos. Obrigado por isso também. Deixares-me ser livre para perseguir os meus sonhos e ser eu mesma.

Obrigado, meu amor

 

13
Abr21

Somos livres?

Liliana Rodrigues

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(imagem retirada do Google)

Liberdade, essa palavra que trazemos na ponta da língua e que invocamos a toda a hora. Julgamo-nos nós livres. Quão enganados estamos.

Escravos da ditadura de uma sociedade consumista, imediatista e insidiosa. Vivemos para nos encaixar, para sentir que somos parte integrante de um mundo volátil, instável, complexo e ambíguo. Abdicamos.

Presos à roda dos hamsters na qual corremos até à morte. Gastamos energias, consumimo-nos sem chegar a lugar nenhum. Queremos mais. Precisamos de mais. Sôfregos por balões de oxigénio que nos chegam a conta gotas. Perdemo-nos.

Esticam-se os dedos para apontar. Erguem-se as vozes para protestar. E chegam os defensores da moralidade. Os especialistas das virgens ofendidas. Criticam. Julgam. Ofendem. Ameaçam. Evocam a liberdade como desculpa para o que fazem; para o que dizem. Evocam-na sem a conhecer. Sem que a compreendam.

Ajustas-te para sobreviver. Afinal não és tão livre como pensavas. Não podes aumentar de peso sem que sejas alvo de critica. Não podes dizer o que pensas sem ser alvo de ofensa. Não podes usar a roupa na qual te sentes confortável sem seres discriminado, por não te encaixares no padrão. Não podes pensar fora da caixa sem que sejas apelidado de louco. E poderia continuar a apontar exemplos. Não podes nada.

Pensas que és livre?

Dizem que livre é aquele que não é escravo ou submisso. Somos escravos e submissos de tanto sem que nos apercebamos. Como é ténue a liberdade que temos. Opressores, castradores e carrascos das liberdades individuais; uns dos outros.

Falamos nós em liberdade. Gritamos por ela nas ruas. Evocamo-la da forma que mais convém. E, no entanto, ela não passa de um conceito filosófico de outrora.

Julgamo-nos livres. Que idiotice.

 

11
Abr21

Querido mês de agosto

Liliana Rodrigues

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“Meu querido mês de agosto, por ti levo o ano inteiro a sonhar”. Esperem lá, ainda só estamos em abril. Eu sei que a vontade de desconfinar é mais que muita. Compreendo. Vamos lá ter um pouco de calma.

Estamos aos poucos a tentar retomar as atividades. Aos poucos. Poucos. Não à bruta. Claro que estamos todos fartos de estar fechados. Claro que estamos todos com saudades dos pequenos prazeres de que estivemos privados. Mas, é preciso muita calma nesta hora.

Não me apetecia mesmo nada que, aquele meme tão conhecido no Facebook, o que diz que em abril esplanadas mil e em maio nem de casa saio, viesse a ser verdade.

Nem imaginam as saudades que tenho de estar com os meus pais. Nem imaginam o como me custou estar longe do meu pai no seu dia de aniversário. Como me custou não poder celebrar a Páscoa com eles. As saudades que tenho das comidas da minha mãe. Mas tenho que me aguentar.

É chato? Não, é uma verdadeira tortura. Se estou desejosa de enfiar as coisas na mala e ir para casa dos meus pais? Era já. Há que ter bom senso.

Se queremos poder voltar à normalidade possível temos que ter juizinho.

Claro que há sempre quem pense que é de elástico e se estique. Shame on you. Agora se nos esticarmos todos, sofreremos todos também. E nesta situação não sejam ingénuos, paga o justo pelo pecador.

Hoje, quando vinha a caminho de casa, tive a sensação que estava no mês errado. Os carros que vinham do lado do mar eram mais que muitos, isto por volta as 20h.

Talvez o país não suporte outro confinamento. Talvez o pequeno comércio não aguente voltar a fechar portas. Talvez se todos forem responsáveis, não voltemos a confinar no futuro. Precisamos todos uns dos outros. Todos precisamos de trabalhar e ganhar o nosso sustento. Não sejam egoístas. Vão com calma.

Ainda não estamos em agosto.

 

10
Abr21

Para sempre liberdade

Liliana Rodrigues

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(imagem retirada do Google)

Nasci num mundo onde já existias e tomei-te como adquirida.  De facto, essa verdade torna-se cada vez mais uma memória do passado. Foges no silêncio do subtil. Escapas por entre os dedos, como se fosses água.

És na verdade, como a água, essencial para a vida. Viver sem ti é apenas existir. Um mundo sem ti é apenas um lugar onde se passam os dias até que o derradeiro chegue. E passam. E foges.

Agrilhoam-nos de forma consentida. Seguimos cegamente atrás de quem nos engorda com mentiras. Perdemos-te para nos encaixar, para caber num mundo cada vez mais sem ti.

A necessidade de pertença parece-nos mais importante do que tu. Não é. Nunca será. Perdemos-te aos poucos embriagados com o que julgamos ser o correcto.

Um dia iremos aprender que o certo e o errado não existem. Aprenderemos que há mais do que um caminho. As possibilidades infinitas só são possíveis contigo.

Dizem que a história é cíclica e que se repete. Que sejamos capazes de evitar perder-te como em tempos idos. Que não nos ceguem.

Oxalá não nos sejas retirada. E se o fores, Deus nos livre e guarde se fores, que não nos falte a força para lutar com tudo. Lágrimas. Suor. Sangue. Tudo por ti.

És o ar essencial da alma. És o alimento do ser. És a força vital. És aquilo pelo que vale a pena viver. És liberdade.

Para sempre liberdade.

 

08
Mar21

Mulher

Liliana Rodrigues

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Pessoa dizia que tinha nele todos os sonhos do mundo. As mulheres têm muito mais que sonhos. Têm muito mais. São muito mais.

Anjos e demónios. Delicadeza e força. Calma e agitação. Equilíbrio e loucura. Tudo ou nada.

Capazes de ultrapassar os maiores obstáculos. Percorrer os caminhos mais árduos. Descer aos lugares mais sombrios. Tudo pelo que amam. Tudo por o que acreditam.

Carregam em si a vida. Suportam as maiores dores. O seu corpo transforma-se para que a vida aconteça. Sentem os seus ossos a separarem-se e a dor dilacerante da pele a rasgar e, ao primeiro choro, têm a certeza de que passariam por tudo novamente.

Entregam-se de corpo e alma, sem medos nem pudores. Determinadas no que querem e como querem. A sua fragilidade é apenas o tecido que esconde a sua imensa força. Imparáveis. Incontroláveis. Indecifráveis. Inigualáveis.

Sonhadoras dos maiores sonhos, pintam com amor o mundo cinzento. E pintam. E sonham, os sonhos jamais sonhados. E vivem-nos. Perseguem-nos nem que a vida lhes custe. Vão conquistando aos poucos o mundo que lhes foi negado. Sonhando mais alto. Sonhando mais forte. Sonhando melhor.

As mulheres têm em si todos os sonhos do mundo e todo o poder também.

Para todas as mulheres passadas e futuras.

 

 

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