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Inquietações

Inquietações

Escrava da mente


Liliana Rodrigues

29.07.19

- Sinto-me sugada, esgotada e presa. Como se houvesse algo que me acorrentasse.

- E, quem te acorrenta? Quem te prende? E, quem te consome senão tu mesma?

- Hmm?! Como assim?

- És refém e carcereira na tua própria mente. Estás presa e simultaneamente prendes-te. Não percebes que te estás a enredar naquilo que própria crias?

- Estás a dizer que sou culpada? Que quero sentir-me assim? Como te atreves?

- O que estou a dizer é que, estás a deixar-te manipular por uma formatação que te foi imposta e que é inconsciente. Imprimiram-te uma “lista de compras”: estudar, tirar um curso, arranjar um trabalho, casar e ter filhos, como se fosse a lista de ingredientes para a felicidade e sucesso. Segues religiosamente a lista, mas isso não te preenche. Suga-te. Prende-te, a algo que não foi escolhido deliberadamente por ti. Tornaste-te escrava de ideias pré-definidas, pré-idealismos e fórmulas distorcidas para uma vida preenchida. Vives na busca incessante do que não sabes ter.

- Não sei que te diga. Não estou a perceber. Não sei se és louca ou sábia.

- Quando vivemos adormecidos e enredados nas teias da suposta vida, é normal não estarmos despertos para certos pormenores. Aceitamos sem questionar toda a informação que nos chega e assumimos que é uma verdade absoluta. A realidade é criada por nós e pela forma como é processada na nossa mente. Tens o poder de controlar a tua mente e te libertares. Para isso precisas de a silenciar um pouco, ouvires e sentires o que te rodeia. Dar espaço e tempo para ouvires a tua voz interior. Assim, encontrarás a solução para te libertares. Sente mais, vive mais. Vive a vida que tu queres e não a que escolheram para ti.      

A fotografia


Liliana Rodrigues

29.07.19

A objetiva abriu-se e captou a imagem: o sensor registou-a, o obturador deixou a luz incidir, o diafragma ajustou a incidência de luz e o plano fechou-se. A felicidade estava registada fotograficamente: real ou aparente?

Minutos depois tudo se dissipou. A felicidade outrora registada já não existia:  a máscara caiu. O rosto sorridente perdeu o brilho e a cor: fechou-se. Agora, só lhe restava o vazio, a dor e a desilusão de uma vida lixada. Uma vida quotidiana medíocre sem qualquer miligrama de adrenalina: suspirou.

“Que merda de vida.” – lamentou no seu âmago. Estava cansada (muito cansada) dos fingimentos desta vida, onde se tem que usar constantemente uma máscara de felicidade.

“Basta, não vou mais viver assim.” -  pensou. Estava a sufocar a sua essência e a hipotecar a sua vida. Queria sentir de verdade. Precisava de sentir verdadeiramente algo que não fosse a sua própria dor ou desânimo. Sentia que tinha fracassado ao não atingir as suas aspirações de criança inocente, mas genuína.

Olhou em redor. O mundo não passava de uma farsa, em que todos ostentavam a sua esplendida máscara; algumas mais coloridas que outras, mas iguais na sua essência: FALSAS.

Sentia que ainda estava a tempo de mudar. Pouco importava que não houvesse ninguém no mesmo comprimento de onda que ela. Recusava-se a viver mais tempo assim. Levantou-se, sacudiu o cabelo, empinou um copo de vinho do Porto, pegou na mala e dirigiu-se à porta. Houve quem estranhasse e um burburinho começou a fazer-se entoar. Antes de sair, descalçou-se. Detestava saltos altos. Desabotoou alguns botões daquele colete de forças a que chamava de camisa e jogou fora aqueles penduricalhos e disse:

- Caguei para esta vida fingida. Quero viver e sentir de verdade e não mais para a fotografia.  

Fome de vida


Liliana Rodrigues

24.07.19

- Já chega! Não aguento mais!

- Então, que se passa?

- Não aguento mais esta forma de vida. Não aguento mais esta luta constante em busca de algo que não consigo alcançar. Não aguento mais sentir-me impotente e inútil. Preciso de mais da vida.

- Precisas do quê?

- De me sentir viva. Sentir o sangue a fervilhar de emoção queimando as veias. Acordar com o entusiasmo pelo novo dia. Sonhar acordada e criar uma nova realidade, como uma criança inocente. Preciso de inspirar paixão, correr riscos e cometer loucuras. Soltar-me das amarras desta vida desprovida de… tudo.

- A tua vida é assim tao má?

- Não percebes. Estou grata pela vida que tenho e que construí. Atingi um ponto que isso só não chega. Quero mais, muito mais. Não quero viver no emperramento do dia-a-dia. Não quero viver na futilidade, na banalidade, na estupidez de um quotidiano cinzento; desprovido vida. Não quero que a minha vida se limite a sobreviver para pagar contas ao fim do mês. Quero sentir a liberdade de poder fazer tudo o que me apetecer.

- Isso parece-me irresponsabilidade, com um pouco de loucura à mistura.

- Porquê? Porque te venderam um estereótipo de vida que compraste sem questionar? Porque todos temos que ser iguais e viver de forma padronizada? O que será irresponsabilidade e loucura? Não será deixar que vivam a minha vida por mim! A vida é curta demais para viver segundo as ideias e opiniões dos outros. Não quero olhar para trás e lamentar o que não vivi porque… Quero sentir-me viva, aqui e agora. Escolho a liberdade e a responsabilidade de viver a vida como mais me apaixonar. Escolho a verdade. Escolho o risco. Escolho a loucura. Escolho a emoção. Escolho a vida e liberto-me dos grilhões do padronizado. 

Agora e não depois


Liliana Rodrigues

24.07.19

“Depois, vão-se os dedos e ficam os anéis”. Já dizia a minha avó relembrando-me da fragilidade da condição humana. Demasiadas vezes testemunhei este facto, tantas que já lhe perdi a conta. A fragilidade da vida. A ilusão do tempo. O arrependimento do que podiam ter vivido. Tudo reflectido no olhar - no espelho da alma -, na última réstia de vida.

Dizes que sou louca. Louca por viver intensa, arrojada e despreocupadamente. A verdade é que “vão-se os dedos e ficam os anéis” e que os meus dedos possam ir numa existência preenchida. Uma existência cheia de ti.

Dou-me a ti, de corpo e espírito, mas não de uma forma cliché. Sabes que para além do meu corpo (banalmente entregue pelos demais), tens o meu espírito; isento de tudo o que possa ser entrave a amar-te plena e verdadeiramente. Selvagem e ingenuamente; sem receios nem promessas.

Não te faço promessas, mas prometo-te fundir-me em ti. Todos os meus sentidos vibram só porque existes, como átomos frenéticos produzindo energia numa central nuclear: rejubilam. Anseio “esquizofrénicamente” por ti, para que possa existir na eternidade do momento. Vivo neste nosso amor, em toda a sua componente bio-psico-emocional e numa inocente felicidade.

A vida, como o amor, deve ser desprovida de “complicómetro”, “stressómetros”, “preocupómetros” e todos os outros “ómetros” que nos agrilhoam a uma existência desprovida de valor. Devemos saboreá-los como um prato gourmet, com todos os sentidos aguçados.

Somos criadores da realidade em que vivemos. Eu, escolho viver na grandeza do sentir e do experimentar. Quero quebrar todas as regras neste nosso amor, cometer as mais loucas experiências contigo; elevar ao expoente máximo esta nossa entrega. O que importa és tu e eu. O nosso amor agora e não depois.

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