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Inquietações

Inquietações

26
Abr21

Se fosse a ti...

Liliana Rodrigues

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Se fosse a ti, fazia diferente; melhor. Não estaria nessa situação. Não viveria essa indecisão. Se fosse a ti, já tinha agido; reagido. Já teria batido com a porta e mostrado a minha posição. Não cederia. Se fosse a ti.

Tens que reagir; decidir. Pára de procastinar. Que raio te impede de avançar? Arrisca. Que tens a perder? Se fosse a ti, já estava feito. Mais rápido e melhor, de certeza.

Só dás desculpas. Não vês? É assim fácil como te digo. Vai por mim que eu é que sei. Tens a vida facilitada e estás assim nesta indecisão. Mexe-te reage.

Olha para mim e vê como se faz. Como sou mais e melhor. Sou mesmo o maior. Dúvidas? É porque tens inveja de mim; da minha vida. És covarde ao esconderes-te atrás de argumentos. Queres é livrar-te das responsabilidades que tens que assumir. Sim, tens que assumir, é tua obrigação.

Dá-me cá os teus sapatos que vou-te ensinar a caminhar. Não deve ser difícil como dizes. Eu já vi qual o melhor caminho, tu insistes em não me ouvir. Observa e vê, como caminho tão bem nos teus sapatos.

Aos primeiros passos sinto uma ligeira sensação no calcanhar. Ignoro, porque sou bom. Sou forte. Não é assim como me pintas. No primeiro quilómetro surge a primeira “bolha”. Incomoda, mas continuo. Ao segundo quilómetro surgem mais bolhas e começa a doer.

Não posso fraquejar. Não agora que estão a ver. Sou o maior. O mais inteligente e forte. O mais desenrascado e perspicaz. Mas dói.

No terceiro quilómetro o sangue mistura-se com o sapato e a dor é insuportável. Não aguento mais. Só quero que termine. Olho em frente e o caminho funde-se com o horizonte. Os olhos não conseguem alcançar a meta. Sento-me no chão rendido à dor.

Como aguentaste tanto? Como conseguiste chegar onde chegaste? Como fizeste? O que te deu força e coragem? Como? O quê? Porquê?

Se fosse a ti. Mas não sou.  

 

 

 

 

(imagem retirada do Google)

17
Abr21

Não é dia dos namorados

Liliana Rodrigues

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Hoje não é dia dos namorados. Também não é o aniversário dele. Muito menos o nosso aniversário de namoro. Não é preciso ser uma data do calendário. Todos os dias são dias.

Mais uma vez, hoje ficaste com o papel de tomar conta da nossa filha. Hoje, tal como noutros dias passados, para que pudesse voltar aos estudos.

Sabes, muito do que consigo fazer, só é possível porque estás aqui para me ajudar. Os cursos que fiz, os livros que escrevi e o que alcancei não o foi conquistado individualmente. Lutamos lado a lado até à vitória.

Talvez seja este o nosso segredo. Somos pessoas independentes que funcionam bem juntas. Não competimos por protagonismo. Não lutamos para nos impor. Apenas caminhamos juntos com as nossas individualidades.

Não é preciso um dia específico para te agradecer. Nem preciso de uma data importante (até porque bem sabes como sou uma nódoa com as datas), para te dizer o quanto te amo.

E que se lixe se comessem os comentários de: “mas que lamechas” ou “que piroso”. O que importa é que seja verdadeiro e sincero.

Obrigado por lutares ao meu lado. Obrigado por esta aventura que é a parentalidade. Obrigado por este desafio que é a vida em casal. E, sobretudo, obrigado por me amares com todas as minhas imperfeições e inseguranças.

Poderia escrever este texto de uma forma floreada ou mais romântica, mas não seria tão sentido. O importante é sermos fiéis à nossa essência, para não sermos plásticos e o resultado do que querem fazer de nós.

Nós somos assim. Fiéis às nossas essências sem atropelos ou fingimentos. Obrigado por isso também. Deixares-me ser livre para perseguir os meus sonhos e ser eu mesma.

Obrigado, meu amor

 

13
Abr21

Somos livres?

Liliana Rodrigues

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(imagem retirada do Google)

Liberdade, essa palavra que trazemos na ponta da língua e que invocamos a toda a hora. Julgamo-nos nós livres. Quão enganados estamos.

Escravos da ditadura de uma sociedade consumista, imediatista e insidiosa. Vivemos para nos encaixar, para sentir que somos parte integrante de um mundo volátil, instável, complexo e ambíguo. Abdicamos.

Presos à roda dos hamsters na qual corremos até à morte. Gastamos energias, consumimo-nos sem chegar a lugar nenhum. Queremos mais. Precisamos de mais. Sôfregos por balões de oxigénio que nos chegam a conta gotas. Perdemo-nos.

Esticam-se os dedos para apontar. Erguem-se as vozes para protestar. E chegam os defensores da moralidade. Os especialistas das virgens ofendidas. Criticam. Julgam. Ofendem. Ameaçam. Evocam a liberdade como desculpa para o que fazem; para o que dizem. Evocam-na sem a conhecer. Sem que a compreendam.

Ajustas-te para sobreviver. Afinal não és tão livre como pensavas. Não podes aumentar de peso sem que sejas alvo de critica. Não podes dizer o que pensas sem ser alvo de ofensa. Não podes usar a roupa na qual te sentes confortável sem seres discriminado, por não te encaixares no padrão. Não podes pensar fora da caixa sem que sejas apelidado de louco. E poderia continuar a apontar exemplos. Não podes nada.

Pensas que és livre?

Dizem que livre é aquele que não é escravo ou submisso. Somos escravos e submissos de tanto sem que nos apercebamos. Como é ténue a liberdade que temos. Opressores, castradores e carrascos das liberdades individuais; uns dos outros.

Falamos nós em liberdade. Gritamos por ela nas ruas. Evocamo-la da forma que mais convém. E, no entanto, ela não passa de um conceito filosófico de outrora.

Julgamo-nos livres. Que idiotice.

 

11
Abr21

Querido mês de agosto

Liliana Rodrigues

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“Meu querido mês de agosto, por ti levo o ano inteiro a sonhar”. Esperem lá, ainda só estamos em abril. Eu sei que a vontade de desconfinar é mais que muita. Compreendo. Vamos lá ter um pouco de calma.

Estamos aos poucos a tentar retomar as atividades. Aos poucos. Poucos. Não à bruta. Claro que estamos todos fartos de estar fechados. Claro que estamos todos com saudades dos pequenos prazeres de que estivemos privados. Mas, é preciso muita calma nesta hora.

Não me apetecia mesmo nada que, aquele meme tão conhecido no Facebook, o que diz que em abril esplanadas mil e em maio nem de casa saio, viesse a ser verdade.

Nem imaginam as saudades que tenho de estar com os meus pais. Nem imaginam o como me custou estar longe do meu pai no seu dia de aniversário. Como me custou não poder celebrar a Páscoa com eles. As saudades que tenho das comidas da minha mãe. Mas tenho que me aguentar.

É chato? Não, é uma verdadeira tortura. Se estou desejosa de enfiar as coisas na mala e ir para casa dos meus pais? Era já. Há que ter bom senso.

Se queremos poder voltar à normalidade possível temos que ter juizinho.

Claro que há sempre quem pense que é de elástico e se estique. Shame on you. Agora se nos esticarmos todos, sofreremos todos também. E nesta situação não sejam ingénuos, paga o justo pelo pecador.

Hoje, quando vinha a caminho de casa, tive a sensação que estava no mês errado. Os carros que vinham do lado do mar eram mais que muitos, isto por volta as 20h.

Talvez o país não suporte outro confinamento. Talvez o pequeno comércio não aguente voltar a fechar portas. Talvez se todos forem responsáveis, não voltemos a confinar no futuro. Precisamos todos uns dos outros. Todos precisamos de trabalhar e ganhar o nosso sustento. Não sejam egoístas. Vão com calma.

Ainda não estamos em agosto.

 

10
Abr21

Para sempre liberdade

Liliana Rodrigues

25 abril.jpg

(imagem retirada do Google)

Nasci num mundo onde já existias e tomei-te como adquirida.  De facto, essa verdade torna-se cada vez mais uma memória do passado. Foges no silêncio do subtil. Escapas por entre os dedos, como se fosses água.

És na verdade, como a água, essencial para a vida. Viver sem ti é apenas existir. Um mundo sem ti é apenas um lugar onde se passam os dias até que o derradeiro chegue. E passam. E foges.

Agrilhoam-nos de forma consentida. Seguimos cegamente atrás de quem nos engorda com mentiras. Perdemos-te para nos encaixar, para caber num mundo cada vez mais sem ti.

A necessidade de pertença parece-nos mais importante do que tu. Não é. Nunca será. Perdemos-te aos poucos embriagados com o que julgamos ser o correcto.

Um dia iremos aprender que o certo e o errado não existem. Aprenderemos que há mais do que um caminho. As possibilidades infinitas só são possíveis contigo.

Dizem que a história é cíclica e que se repete. Que sejamos capazes de evitar perder-te como em tempos idos. Que não nos ceguem.

Oxalá não nos sejas retirada. E se o fores, Deus nos livre e guarde se fores, que não nos falte a força para lutar com tudo. Lágrimas. Suor. Sangue. Tudo por ti.

És o ar essencial da alma. És o alimento do ser. És a força vital. És aquilo pelo que vale a pena viver. És liberdade.

Para sempre liberdade.

 

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