Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Inquietações

Inquietações

14
Jun21

Porque me odeias?

Liliana Rodrigues

images.jpeg

(imagem retirada do Google)

 

Porque me odeias? Sim, qual o motivo?

Abres a boca e feres-me com a amargura que trazes na alma. Atacas-me. Diminuis-me. Fazes de ti mesmo a razão e a verdade. Puxas até ti o sol e deleitas-te com o universo à tua volta. Atiras para longe tudo e todos para tua autossatisfação. Embriagaste em ti.

Aproximo-me e volto-te a questionar. Porque me odeias?

De indicador esticado começas a apontar. É o meu físico. É a minha personalidade. É a minha opinião. É tudo e não é nada. É só porque sim. É porque sou eu. Eu, um individuo diferente de ti. Um eu que vês como uma ameaça ao teu próprio eu.

Porque me odeias?

Apressas os dedos a digitar toda a tua magnâmina opinião sem que ta peça. Todo o universo gira em torno de ti, é assim que tem que ser. Como posso ousar existir sem te pedir? Que atrevimento, o meu, pensar. Avanças a toda a velocidade para a ofensa e escondes-te atrás da armadilha da tua opinião.

Porque me odeias?

Não me conheces, mas consegues saber tudo sobre mim. Julgas-te detentor de todo o conhecimento, analisando meticulosamente a superfície do iceberg. Continuas na embriaguez de ti mesmo. Escondo-me de ti. Fujo para onde não me possas atacar. Onde não me possas magoar. Protejo-me.

Porque me odeias?

Observo-te ao longe. Caminhas todo altivo para o abismo. A tua luz cega-te em ti. Não vês nem consegues ver. Estás só. A tua perfeição abre fendas no que julgas ser. Continuas a caminhar seguro do nada em que te tornaste. Sim, disse do nada em que te tornaste. Perdeste no caminho quem realmente eras. Vagueias ostentando um interior fragmentado de quem julgas ser. Estás em queda livre sem que nada possas fazer.

Porque me odeias? Volto a perguntar enquanto te seguro no colo.

Olhas-me nos olhos. As lágrimas formam-se sem que as consigas controlar. Fazes-te de forte mas a dor atraiçoa-te. Lentamente vais mostrando a tua humanidade. Ouço o grito inaudível da tua dor. O desespero pulsa-te no corpo e arde mais do que o sangue. Desejas libertar-te do que te agrilhoa. Só queres encontrar a tua verdadeira natureza. Só queres ser feliz. Sei que darias tudo por voltar a ser criança outra vez. Balbucias.

Porque me odeias?

Levantas-te apesar da dor. Afastas-me. Ergues a cabeça e afirmas, com todo o teu orgulho:

- Porque é assim que tem que ser.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub