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Inquietações

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31
Jan21

A fritar o pirulito

Liliana Rodrigues

Como não fritar o pirulito?

Atravessamos uma época psicologicamente exigente, isto para não dizer, terrível. Se no primeiro confinamento houve quem conseguisse manter o equilíbrio, agora esse encontra-se mais frágil. É claro que a culpa não é só da pandemia, esta só veio revelar o que estava escondido.

Estamos todos no mesmo barco e ninguém está livre de fritar a pipoca. Os que estão em casa com os miúdos, os que estão em teletrabalho e até os que estão nos locais de trabalho estão sujeitos à pressão, ao medo, à angústia, à frustração e à ansiedade. Pode-se mesmo dizer: se tens cérebro estás em risco.

Então, como não queimar de vez?

Primeiro de tudo, há que perceber como estamos, como nos sentimos e qual o grau de interferência na nossa vida quotidiana. Se o nosso dia a dia estiver a sofrer uma alteração aventurada, quer a nível relacional quer a nível funcional, é preciso pedir imediatamente ajuda a um profissional (psicólogo ou psiquiatra). E não, isso não é sinal de fraqueza.

No caso de querer preservar a sanidade mental, que é fundamental nesta altura, felizmente, há imensos sites de dicas práticas. Basta consultar e ver qual funciona melhor para nós.

Vou falar de duas dicas que tem salvado os pouco neurónios que me restam: meditação e desporto.

A necessidade de pôr cá fora os demónios que, numa frigideira gigante insistem em cozinhar em lume brando o cérebro, é mais que muita e para tal tenho praticado desporto. Não é preciso federar-se numa modalidade. Caminhar pela natureza tem efeitos terapêuticos incríveis e permite cumprir todas as regras de prevenção de contágio por Covid. Tudo o que precisam é umas sapatilhas confortáveis, uma mata e um pouco de água. Só o campo e vocês, nada mais. Posso garantir que me tem ajudado muito a aliviar o stress, caminhar à hora de almoço. Acalma-me. Permite-me objectivar melhor. Se conciliar a meditação com a caminhada então os benefícios são de loucos.

Sempre fui muito renitente à meditação. Aquilo era muito parado para mim, achava eu. Temos tendência a rejeitar o que não se conhece, foi o que fiz durante muito tempo em relação à meditação. Achava que meditar era estar sentado de olhos fechados a pensar em nada. Essa era a minha maior dificuldade: ficar sozinha comigo mesma. Não temos por hábito ficarmos a sós connosco e quando isso acontece é incomodativo. Tive que aprender. Ficar em silêncio é reparador. O segredo é não tentar controlar os pensamentos. Eles devem vir e ir livremente. Este é o momento em que olhamos para dentro de nós como se fossemos outra pessoa. Distanciar-nos dos pensamentos permite-nos vê-los de outro modo. Meditar, sem a pressão do controlo, liberta-nos. Faz-nos ganhar espaço para preencher com o que realmente é importante para nós. Nas últimas semanas, à hora de almoço, vou caminhar e meditar nos meus sonhos.

O pirulito é mais saudável se respirar-mos quando a situação começa a fugir do controlo, até porque, não controlamos rigorosamente nada. Respirar e visualizar os objectivos ajudar-nos a focar no que importa e não nos deixar influenciar por sentimentos ou pensamentos negativos. Talvez seja uma forma mais consciente de meditação. Não fixar as adversidades ou dificuldades, mas focar nos objectivos.

Claro que podem dizer que, tudo isto, é muito bonito e muito fácil de falar. Sem experimentar nunca saberão e, afinal, o que têm a perder? Vale a pena tentar não queimar o fusível.

 

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