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Inquietações

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14
Jan21

Confinamento 2.0

Liliana Rodrigues

Lá vamos nós entrar num novo confinamento. Será? Não acho que a medida seja inadequada para travar a propagação do vírus, nada disso. Aliás, acho que a medida peca por ser tardia, mas a culpa não é do governo. Não, desta vez não.

Não nego que tenham existido falhas governamentais, porque existiram. A maior falha, a que nos atirou para a situação em que estamos, foi a do governo acreditar que a população seria responsável e altruísta. Sim, os responsáveis, pelos números alarmantes da pandemia, somos nós.

Os responsáveis fomos nós quando juntamos à mesa, na altura do Natal, mais que seis pessoas. Quando fizemos a passagem de ano fora da nossa área de residência com amigos. Quando nos deslocamos desnecessariamente a centros comerciais, só porque estávamos aborrecidos de estar fechados em casa. Quando decidimos que era giro ir todo um agregado familiar às compras. Sim, somos nós os responsáveis, nós população. Claro que há quem tenha cumprido as regras de segurança, mas enquanto sociedade fomos os responsáveis.

Deparamo-nos agora com um segundo confinamento que, a meu ver, para além de pecar por tardio peca por defeito. Neste confinamento temos tudo a funcionar menos a cultura, cabeleireiros, ginásios e restaurantes. Sou só eu a achar que andamos a jogar à roleta russa com balas a mais?

O teletrabalho é de carácter obrigatório, desde que possível. Como é que isto é possível? Há uma grande percentagem de trabalho que só se realiza old fashion way, à unha e força de braços.

As escolas não fecham. E, antes que comecem a argumentar de que é difícil estar em teletrabalho com crianças em casa, eu percebo. Portanto, vamos confiar na responsabilidade de quem trabalha nas escolas e que estas não contactem com outras que não sejam suas conviventes.

É importante explicar o que significa ser convivente. Ora bem, convivente, a própria palavra o indica, significa viver com; com quem se vive. Se não dormimos todos uns com os outros, não podemos descurar as medidas de prevenção de contaminação. Ou seja, nada de confraternizações que não cumpram o distanciamento, o uso de máscaras e o uso de álcool gel ou lavagem das mãos.

Este confinamento é um confinamento deficitário. Compreendo que o país não tem capacidade de autosuficiência para um de carácter geral. É uma medida que só vai agravar a situação das micro e médias empresas, atirando para uma situação complicada quem já se encontra numa posição de fragilidade. É um confinamento de confiança numa sociedade que já se mostrou irresponsável e egocêntrica.

Não me vou alongar muito mais. Esta pandemia tem-se mostrado muito reveladora, expôs o que de melhor e pior temos. Está na altura de mudança. Pensar, enquanto sociedade, no impacto das nossas acções, assumir a responsabilidade das mesmas e corrigir o nosso comportamento.

 

 

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