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Inquietações

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01
Dez20

Natal agridoce

Liliana Rodrigues

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(imagem retirada do Google)

O mês de Dezembro chegou e com ele muita ansiedade (pelo menos para mim). Avizinha-se a época mais festiva do ano. Aquela que é celebrada por todo o mundo e por todos os credos, mesmo que de formas diferentes.


Ao contrário de anos anteriores, este ano teremos à mesa, a celebrar mesmo ali ao nosso lado, o filho da mãe do vírus. Sim, preferia não falar no assunto, até porque há coisas mais agradáveis de se falar, mas não consigo enfiar a cabeça na areia como a avestruz e fingir que será tudo igual.


Este ano, depois de uma longa negociação no meu serviço (longa, mas mesmo muito longa) consegui as almejadas férias de Natal. Claro que isto foi muito antes da pandemia. Estava toda contente por poder celebrar o Natal com toda a família na terra dos guarda-chuvas coloridos.


No último Natal, passado em Águeda, a Alice (com apenas dois anos, na altura) voltou maravilhada. Não dava para esconder a alegria de ver o Pai Natal gigante e todas as decorações pela cidade. Falou nisso durante semanas. Este ano queria vincar essas lembranças na sua memória e poder proporcionar um Natal diferente à restante família do litoral alentejano. Queria. E quero, mas do querer ao poder a distância, neste contexto, é estupidamente abismal.


Estou ansiosa por poder ir a casa, até porque há mais de seis meses que não vou. Estou desejosa de fazer as malas e arrancar rumo a Águeda, mas morro de medo. O medo do contágio, por a minha filha ser doente de risco. Viver esta mistela de emoções desgasta. Se por um lado estou mortinha por ir, por outro quero ficar.


Se fosse possível, talvez esta fosse a altura de questionar um ser superior sobre o que fazer ou que decisão tomar (isto, contando que se poderá reunir a família mesmo que com um número limitado de pessoas).


Vivo na ansiedade de conhecer as restrições, adoptadas pelo governo, para esta época. No gume da faca do que fazer. E no limbo em que a vida se tornou. Neste momento, já dizia o Ricardo Araújo Pereira, estar vivo aleija. E de que maneira.


Por mais que tente deixar-me envolver pelo espírito natalício, há sempre um covidado indesejado que espreita. Definitivamente não quero estar longe dos que amo, mas não posso permitir que ele se sente à mesma connosco. Desejo poder estar com os meus e passear pelas ruas da cidade, mas não posso correr o risco.


Não sei como está a correr convosco, mas comigo não está a ser uma época fácil: de planear, de gerir, de aproveitar e de viver. Este será, para mim, sem sombra de dúvida, um Natal agridoce.

 

 

 

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