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Inquietações

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16
Out19

Outono

Liliana Rodrigues

outono.jpg

(imagem retirada do Google)

Preciso parar; é preciso e urgente parar. Silenciar todo o barulho que nos envolve. Desligar tudo o que nos distrai. Parar. Silenciar. Desligar. Respirar fundo e sentir. Conectar e re-conectar. É urgente antes que seja tarde demais.

Comprimo o crânio com as mãos. Um acto desesperado de silenciar e acalmar tudo o que me perturba a mente. Memórias, pensamentos, sentimentos e muito ruído: sufoco. Asfixio dentro da minha própria mente. Enfraqueço.

Não aguento mais esta forma de existir; sim, porque isto não é, nem pode ser, viver. Não se vive quando se é controlado ao milésimo de segundo. Não se pode viver quando tudo o que se faz é para impressionar, seja quem for, que está à nossa volta. Não se vive quando não se é de verdade. Não é possível. Não é, mesmo de todo, possível viver assim. Existência pura e dura. Vazia.

O Outono chegou. Olho, através da janela, a rua. Lá fora, as pessoas movem-se freneticamente como um exército de formigas. As folhas, dançando ao sabor do vento, começam a cair no chão. Observo por momentos a cena: perfeita. É o sinal que os distraídos ignoram convenientemente. Gostam de viver de e em ilusões vãs. Ingénuos. Inconsequentes.

Tudo tem o seu tempo, a sua duração, nada dura para sempre. É preciso parar, silenciar e desligar. É preciso conectar-se à essência da vida. Não somos imortais como pensamos. Existimos imprudentemente, na ilusão de que somos intocáveis e imortais, desconectados do nosso verdadeiro eu. Usamos máscaras para ser um outro alguém que não nós. Mentimos, mentimos muito, a quem nunca deveríamos mentir: nós.

Parem já. Silenciem já. Desliguem já. Tudo, tudo, tudo. Já! Acordem para a vida. Ouviram bem, acordem para a vida. Olhem para a natureza à vossa volta e vejam os sinais. Interpretem-nos. Já tiveram a vossa Primavera. Já viveram o vosso Verão. O Outono chegou. Acordem antes que passe e, quando derem conta, chegue o Inverno.

Parem de pensar que o Verão será para sempre. Parem de desprezar os sinais do tempo. É preciso que chegue o Outono para colher o que foi plantado. Recolher-se dentro de si e meditar sobre a colheita. O Outono começou, mas ainda há tempo antes do Inverno. É tempo de transformação.

Preciso parar, silenciar e desligar, de tudo e todos, para me conectar ao meu eu. Preciso de me encontrar, de me libertar, com a verdade que sou; quem sou. Preciso de compreender o que faço aqui, antes que chegue o Inverno. Aceitar. O Outono chegou e é tempo de acordar para a vida.

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