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Inquietações

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03
Ago20

Verão 2020

Liliana Rodrigues

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(pateira de Fermentelos, na nossa última visita à região centro do país, início de março de 2020)

 

Os dias quentes de verão aliam-se à vontade de fuga da realidade, que parece cada vez menos real. Pois é,  verão de 2020 vem, não só, acompanhado de calor, mas também de medo. O corona vírus não desapareceu. Está à espreita por uma oportunidade para fazer estragos. Uma espécie de predador a rondar a sua presa.

Não vou falar dos comportamentos de risco. Não vou falar do uso errado das máscaras. Nem vou falar dos jovens que acham que são imortais e que é só uma gripezinha. Vou falar de medo.

Neste ano atípico, ninguém pode dizer que o verão será como sempre foi. Não. Este ano é acompanhado de medo. É obvio que nem todos partilham desse medo, mas é mesmo por causa deles que o medo existe.

Se há quem tenha todos os cuidados e mais alguns, há quem coloque a si e aos outros em risco. Não me interpretem mal, porque não sou contra o turismo. Até acho que o turismo, nacional e internacional, é bom para equilibrar a economia desde que respeitem as regras.

As regras são simples e conhecidas por todos. Não vale a pena tentar furá-las ou refilar com quem as faz cumprir. Tenho assistido a situações desagradáveis porque os espaços estão na sua capacidade máxima ou porque informam que é obrigatório o uso de máscara. 

Não é por barafustar ou achincalhar as pessoas que estão isentos de cumprir as regras. São estas atitudes de falta de respeito pelos outros que avoluma o medo. Que segurança podemos ter com este egoísmo?

Não queria tomar este rumo, mas isto é falta de respeito e responsabilidade. Que segurança posso sentir ao levar a minha filha a um restaurante? Quem me garante que não aparece um chico esperto a desafiar tudo o que é regras? 

Até podem dizer que estou a ser paranóica e que não temos que viver com esta situação. Tudo muito bem, até concordo que temos que aprender a viver com a situação. Aprender a viver e não desafiar a sorte. 

Cada um é livre de escolher o que fazer da  sua vida, mas com a liberdade vem a responsabilidade. A liberdade da pessoa acaba quando a de outra começa. 

Após dois meses e meio de confinamento e longe da família, não quero correr riscos desnecessários. Se gostava de ter a liberdade para gozar o verão? Claro que gostava. Adorava poder disfrutar do verão como em anos passados, rodeada de família e amigos. Adorava poder juntar a malta toda para petiscadas ou convívios. Mas, o vírus não escolhe pessoas nem idades. Sobretudo não está estampado na testa de ninguém.

Este ano, o meu verão é com medo, sim, mas também com responsabilidade de proteção dos outros. Este ano, o verão está limitado. É preciso fazer um pequeno sacrifício este ano para que os próximos possam ser bem aproveitados. 

Um agosto com gosto e em segurança. 

 

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