Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Inquietações

Inquietações

22
Out20

Vivemos nos intervalos da chuva

Liliana Rodrigues

chuva.jpg

(imagem retirada do Google)

 

A chuva acalma o calor de um Verão abrasador, assim como, as lágrimas acalmam a alma de quem sofre. Vão correndo ruidosamente sem que se façam ouvir. Gotejando memórias de dias felizes. Já chove.

A imagem torna-se menos nítida com a chuva, revelando apenas o essencial. O cenário é menos claro, mas mais evidente. E consegue-se ver o que durante tanto tempo andou camuflado. E chove.

O vento começa a soprar e faz-se sentir. Sopra para longe as lembranças de dias que passaram. Afasta para longe o que não interessa; o que nunca devia interessar. Sacode-nos com a saudade. Chove com mais intensidade.

Da tempestade fica a imagem desfocada do que um dia fomos. Lembrança perpetuada até que a memória nos atraiçoe. Chove e vai continuar a chover, a cada pedaço de história recordado.

Vive-se nos intervalos da chuva. Continua-se de tempestade em tempestade, com forças que julgamos não ter. Seguimos. Tal como o vento, as lembranças antecedem a chuva da alma. E chove.

Somos eternos quando somos lembrados. No final é tudo o que resta. Um pedaço da história na memória de um alguém que chora.      

 

 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub